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Gaeco deflagra Operação Cavalo de Troia para investigar fraude em concessão de R$ 5,2 bilhões em Bauru

9 de set.
3 min de leitura
Investigação aponta possível direcionamento de licitação para gestão de resíduos sólidos; contrato previsto para 30 anos é considerado o maior já projetado na história do município
Investigação aponta possível direcionamento de licitação para gestão de resíduos sólidos; contrato previsto para 30 anos é considerado o maior já projetado na história do município

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), deflagrou nesta quarta-feira (9) a Operação Cavalo de Troia, que investiga suspeitas de fraude na concessão do sistema de gestão integrada dos resíduos sólidos urbanos da Prefeitura de Bauru.


O contrato investigado tem duração prevista de 30 anos e valor global estimado em R$ 5.259.651.116,06, em valores de fevereiro de 2026. Segundo o Gaeco, trata-se da maior contratação pública já projetada na história de Bauru.


A operação também envolve diligências relacionadas à Operação Mobius, que apura possíveis irregularidades em um contrato de coleta seletiva no município.


Investigação aponta possível influência de interesses privados

Segundo o Ministério Público, uma das principais linhas da investigação envolve a suposta inserção, dentro da estrutura da administração municipal responsável pela concessão, de uma secretária que mantinha vínculos profissionais e econômicos com a empresa que seria beneficiada pelo direcionamento da licitação.


Conforme a apuração, a partir dessa posição, interesses privados teriam passado a influenciar a elaboração e a condução do processo. A investigação também identificou outra profissional que anteriormente teria mantido vínculo com a empresa investigada.


Os investigadores apontam que as suspeitas não estariam restritas à elaboração de uma cláusula específica do edital. O suposto esquema teria sido estruturado desde a concepção da concessão e elaboração dos estudos técnicos até a definição de exigências de habilitação e critérios de pontuação.


Também são investigadas a participação de consultorias, a preparação de documentos oficiais e possíveis estratégias para reduzir a concorrência e favorecer determinada empresa.


Indícios de pagamentos e vantagens

De acordo com o Gaeco, a investigação identificou indícios de um grupo formado por agentes públicos, dirigentes e funcionários de empresa privada, consultores e intermediários.


As apurações apontam possíveis pagamentos e vantagens, circulação reservada de documentos e interferências em manifestações administrativas com o objetivo de reduzir a competição e manter o possível direcionamento do processo licitatório.


O Ministério Público também informou ter identificado indícios de tentativa de cooptação de agentes públicos e de neutralização de mecanismos de controle.


Entre os elementos investigados estão informações pessoais que teriam sido levantadas sobre um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, supostamente relacionado à relatoria de um procedimento envolvendo o caso. Comunicações interceptadas também teriam revelado estratégias de aproximação e infiltração em instituições públicas para obtenção de informações privilegiadas.


Crimes investigados

A Operação Cavalo de Troia busca aprofundar a apuração de possíveis crimes de fraude ao caráter competitivo da licitação, corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa, falsidade ideológica e associação criminosa.


A Justiça autorizou medidas de busca e apreensão para preservar provas e esclarecer a participação individual dos envolvidos. Informações divulgadas nesta quarta-feira apontam para o cumprimento de 20 mandados de busca e apreensão e sete mandados de prisão temporária.


Prefeitura afirma que irá colaborar

Em manifestação divulgada após o início da operação, a Prefeitura de Bauru informou que respeita a atuação do Ministério Público e que irá colaborar integralmente com as autoridades.

A administração municipal afirmou ainda que, até o momento, não havia sido oficialmente informada sobre o inteiro teor da investigação nem tinha acesso aos elementos que fundamentaram as diligências. O município declarou compromisso com a legalidade, a transparência e o interesse público.

As investigações continuam, e eventuais responsabilidades deverão ser definidas pelas autoridades competentes ao longo do processo.

Fonte: Ministério Público de São Paulo e informações de imprensa.

GiroTupa.com.br — informação regional.


 
 
 

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